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    Brasil já tem deserto, apontam cientistas. Saiba onde fica

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    Pesquisa do Inpe e Cemaden revela situação inédita de clima árido no norte da Bahia, associada ao aquecimento global.

    Um estudo pioneiro conduzido pelo Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe) em parceria com o Centro Nacional de Monitoramento e Alertas de Desastres Naturais (Cemaden) revelou uma preocupante mudança nas condições climáticas no Brasil. Pela primeira vez, foi identificado um quadro de clima árido no norte da Bahia, marcando uma situação inédita no país. Este achado é resultado da análise de dados realizada por pesquisadores vinculados a ambos os órgãos federais, os quais estão sob a tutela do Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI).

    Os pesquisadores constataram não apenas a presença de clima árido, mas também um aumento significativo na área com clima semiárido em todo o país, com exceção da região Sul e do litoral dos Estados do Rio de Janeiro e São Paulo. Os resultados do estudo indicam que a expansão da aridez está diretamente ligada ao fenômeno do aquecimento global. O aumento das temperaturas contribui para o crescimento da evapotranspiração, que é a soma da evaporação da água no solo e da transpiração das plantas. Na região Sul, por outro lado, observa-se uma tendência oposta, associada ao aumento das chuvas.

    Os achados do estudo foram divulgados por meio de uma nota técnica na última terça-feira (14/11) e baseiam-se em uma metodologia internacionalmente reconhecida. Esta metodologia utiliza o índice de aridez, calculado a partir de uma fórmula que divide os valores de precipitação pela evapotranspiração potencial de cada região. Em climas mais secos, onde há um déficit de chuvas, essa razão fica abaixo de 1. A região é considerada semiárida se o resultado ficar entre 0,21 e 0,5, e árida se ficar abaixo de 0,2.

    A falta de água em regiões com índice de aridez crítico pode favorecer a ocorrência de queimadas e ter impactos severos na agricultura e na pecuária. Quando o uso do solo não é sustentável, observa-se a longo prazo o processo de desertificação.

    O diagnóstico elaborado pelo Inpe e pelo Cemaden será fundamental para subsidiar a Política Nacional de Combate à Desertificação, coordenada pelo Ministério do Meio Ambiente. A análise abrangeu dados coletados entre 1960 e 2020, divididos em períodos de 30 anos.

    Os resultados indicam que, a cada década, as áreas semiáridas do país têm crescido a uma taxa média superior a 75 mil quilômetros quadrados, concentrando-se principalmente no Nordeste e no norte de Minas Gerais.

    No último período analisado, de 1990 a 2020, destaca-se o surgimento de uma área de 5,7 mil quilômetros quadrados classificada como árida no norte da Bahia.

    Essas descobertas alertam para a urgência de ações e políticas voltadas à preservação ambiental e ao enfrentamento das consequências das mudanças climáticas no Brasil.

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