terça-feira, fevereiro 27, 2024
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    Pesquisa de doutorado da Ufam produz aplicativo voltado para estudantes com deficiência auditiva

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    Pensar em uma educação inclusiva e tecnológica. Foi com essa ideia que a egressa da Universidade Federal do Amazonas (Ufam), Andreza Bastos Mourão, ligada ao Programa de Pós-Graduação do Instituto de Computação (Icomp), desenvolveu a tese ‘Modelo Inclusivo de Desenvolvimento de Objetos de Aprendizagem Acessíveis’. O trabalho resultou num modelo de aprendizagem homônimo, o Midoaa, disponibilizado nas plataformas Android e IoS, criado para apoiar o ensino e atender estudantes com deficiência auditiva.

    De acordo com o estudo, há um número expressivo de estudantes com deficiência buscando qualificação superior e projetos de inclusão, como o aplicativo Midoaa, os ajudam a alcançar esse objetivo. O Midoaa contribui para a educação inclusiva, permitindo o aprendizado da linguagem Python aos estudantes com deficiência auditiva de Ciências da Computação. O conteúdo é apresentado de forma sequencial, seguindo uma abordagem ao mesmo tempo pedagógica e computacional. O app utiliza a plataforma Visual Class e as aulas são acompanhadas por um personagem animado em Libras.

    O resultado da tese oferece um modelo inclusivo para ser usado pelos professores da área da Computação, mas também abre a possibilidade para que uma equipe da área de Engenharia de Software desenvolva recursos educacionais a partir da engenharia de requisitos, e, com isso, possa produzir objetos de aprendizagens acessíveis para outras áreas. A ideia é facilitar o ingresso do estudante no ensino superior, independentemente das limitações.

    Segundo Andreza Mourão, é necessário pensar meios de prover os direitos fundamentais deste grupo específico de pessoas. “É considerado como ‘Objeto de Aprendizagem’ qualquer entidade, digital ou não digital, que possa ser utilizada, reutilizada ou referenciada durante o aprendizado suportado por tecnologias. Nesse contexto, os modelos inclusivos visam à promoção da igualdade e da não discriminação. Assim, essa é uma oportunidade para pensarmos novas práticas a partir desses conceitos. Inicialmente, durante a minha carreira no magistério, tive contato com alunos com deficiência auditiva e senti dificuldade em lecionar para eles. Eu ministrava a disciplina de Linguagem de Programação, de modo que atendê-los passou a ser um desafio”, relembrou.

    A autora da tese esclarece também que uma das contribuições da sua pesquisa é permitir que o docente tenha meios de lidar com os desafios da sala de aula.  “Eu não tive um treinamento para trabalhar com alunos que exigem habilidades específicas. Vejo que os docentes, em sua maioria, precisam de qualificação para estarem aptos a lidar, de forma eficiente, com esta demanda que vem se apresentando cada vez mais. Eu entrei no Programa de Pós-Graduação com a expectativa de contribuir nesse sentido”, revela.


    Caminhos da Pesquisa

    A metodologia utilizada para desenvolver a pesquisa foi composta por três fases: 1) Exploratória 2) Investigativa 3) Avaliativa. A primeira etapa foi dedicada a uma revisão sistemática sobre Objetos de Aprendizagem, Objetos de Aprendizagem Acessíveis, Engenharia de Requisitos, além da revisão bibliográfica sobre abordagem qualitativa.

    Na fase investigativa, a autora dedicou-se, por meio da abordagem pedagógica, a desenvolver o desenho preliminar do modelo inclusivo, a partir de dois estudos de caso que envolveram entrevistas, questionários e mapas de empatia com uma turma de Sistemas de Informação da Universidade Estadual do Amazonas (UEA). Neste segundo momento, utilizando a abordagem pedagógica e computacional, os padrões e diretrizes de acessibilidade e a engenharia de requisitos, foi possível criar o Midoaa. Desta vez, os Objetos de Aprendizagem Acessíveis foram produzidos junto com professores e uma equipe técnica.

    Por fim, a etapa avaliativa serviu para analisar os resultados e aprimorar o Modelo a partir da observação de especialistas. A avaliação de Ensino e Aprendizagem foi feita por pedagogo e a avaliação de usabilidade foi feita por um especialista da computação, compreendendo duas importantes etapas de validação da proposta. Ou seja, o Midooa foi pensado considerando a viabilidade operacional, técnica, pedagógica e econômica.

    Banca Examinadora

    A banca foi presidida pelo professor e orientador José Francisco de Magalhães Netto (Ufam) e composta pelos professores Raimundo da Silva Barreto (Ufam), Thais Helena Chaves de Castro (Ufam), José Luiz de Souza Pio (Ufam) e Sérgio Crespo Coelho da Silva Pinto (UFF). Para o orientador, professor José Francisco Netto, a pesquisa preenche uma lacuna na área de Informática na Educação. “O produto desenvolvido na tese permite mais adiante ter variações que incluem modelos de aprendizagem para diferentes deficiências. A pesquisa não se encerra com a defesa da tese”, podenrou.

    De acordo com a docente Thaís Helena Chaves de Castro, da Ufam, a tese é um ponto de partida relevante para articular Educação, Computação e Inclusão. “É um começo sim, e nos possibilita pensar as questões que envolvem a inclusão no contexto universitário, já que não estamos preparados para atender a essa demanda. O modelo é um ponto de partida para novas pesquisas”, analisou.

    Já para o professor Raimundo Barreto, o trabalho é voltado a um público que muitas vezes é esquecido. “As Pessoas com Deficiência (PcD) são a preocupação central do estudo. Inicialmente, o Modelo é voltado para pessoas com deficiência auditiva, mas é possível aplicar em outros contextos. O que eu achei relevante na tese foi o cuidado da autora ao demonstrar o caminho percorrido, que vai desde o projeto, passando pela análise de requisitos, pela implementação e pela análise de viabilidade. Andreza Mourão foi bem criteriosa até chegar ao objetivo final, que foi levar o Objeto de Aprendizagem Acessível aos usuários que realmente precisam. O coroamento da tese foi o aplicativo, porque ela conseguiu condensar todo o seu estudo nele”, explicou.

    Segundo o docente José Luiz de Souza Pio (Ufam) a tese contribui de forma científica e social para a área. “O trabalho se propõe a criar objetos de aprendizagem para serem utilizados por pessoas com deficiência. A autora conseguiu, a partir do desenvolvimento desses objetos, garantir que as pessoas com deficiência possam de fato utilizar o objeto de aprendizagem. Existe relevância no contexto científico e também social”, esclareceu.

    O professor Sérgio Crespo Coelho da Silva Pinto, membro externo da Universidade Federal Fluminense (UFF), disse que o trabalho é relevante, sobretudo, no atual momento do País, em que a diversidade ainda é tão criticada. “O fato de ter um trabalho que possibilita que pessoas com deficiência possam ser incluídas no contexto educacional é muito importante. A tese tem como objeto a deficiência auditiva, mas para mim ela abrange muito mais que isso e permite que as pessoas possam construir objetos de aprendizagem que sejam acessíveis, praticamente, para qualquer tipo de deficiência”, finalizou o docente.

    Visibilidade e premiação

    A pesquisa rendeu quatro publicações internacionais e duas publicações nacionais. Em 2016, uma publicação no CBIE (Congresso Brasileiro de Informática em Educação) – SBIE (Simpósio Brasileiro em Informática em Educação). Em 2018 duas publicações no FIE – Frontiers in Education. Em 2019, uma no Journal Informatics in Education, outra no FIE – Frontiers in Education e mais uma no CBIE – Apps.Edu (Aplicativos na Educação).

    O aplicativo ganhou o segundo lugar do Concurso Nacional Professor Multimídia promovido pela plataforma Visual Class. Este ano, a competição superou as edições anteriores e teve 10 projetos classificados para a etapa final.

    Próximos passos

    A pesquisa evidenciou lacunas e oportunidades relacionadas ao Desenvolvimento de Objetos de Aprendizagem Acessíveis com o apoio da Engenharia de Requisitos para a obtenção de recursos educacionais inclusivos. De acordo com Andreza Mourão os próximos passos serão incluem visibilidade e expansão do MIDOAA.

    “A Tese consolida a ciência, por meio da pesquisa e da experimentação, gerando resultados e artefatos que podem ser utilizados por professores da área da Computação e em outras áreas no desenvolvimento de recursos educacionais inclusivos mediados por processo e um modelo validados através de estudos de casos. A pesquisa visa a ampliar a visibilidade para a Educação Inclusiva apoiada pelo uso das Novas Tecnologias de Informação e Comunicação, motivando os docentes desde o ensino básico até o superior a se planejar e a desenvolver recursos educacionais inclusivos para apoiar o processo de ensino e aprendizagem dos estudantes de forma equitativa”, finalizou a doutora.

    Com informações da Ufam*

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