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    Cheia no AM faz 38 cidades entrarem em situação de emergência

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    Todo ano é a mesma coisa: os rios sobem e depois descem. É natural que no mês de junho os rios atinjam um nível máximo, o período de cheia, e no mês de outubro um nível mínimo, a seca. As cheias anuais oscilam ao redor de um valor médio de 28 metros. Aquelas que ultrapassam este número, são consideradas grandes. E estas têm ocorrido com cada vez mais frequência.

    Cheias históricas

    Em um período de seis anos tivemos a ocorrência de grandes cheias em Manaus: em 2009, com cota de 29,77 metros; em 2012 com cota de 29,97 metros; e em 2015, com cota de 29,66 metros. Para Marco Oliveira, geólogo pela Universidade Estadual Paulista (Unesp), essas ocorrências parecem apontar para uma Amazônia mais úmida diante das mudanças climáticas na Terra.

    Mais uma cheia extrema

    Nesta segunda-feira (12), o nível do Rio Negro chega a 29,30 metros, conforme dados do Porto de Manaus. Já foi decretada situação de emergência na capital por conta da subida das águas. O Serviço Geológico do Brasil (CPRM) divulgou que a cota máxima pode variar entre 29,18 metros a 29,33 metros. Mas, o rio deve continuar subindo pelos próximos 10 dias.

    O monitoramento realizado pela Defesa Civil do município identificou que 2.271 famílias podem ser afetadas pelo fenômeno em 15 bairros da capital. São eles: Tarumã, Mauazinho, São Jorge, Educandos, Raiz, Betânia, Presidente Vargas, Colônia Antônio Aleixo, Aparecida, Centro, Santo Antônio, Cachoeirinha, Glória, Compensa, Puraquequara e zona rural ribeirinha.

    No último dia 10, a rua dos Barés, no Centro, foi interditada após ser tomada pelas águas do Rio Negro.

    Rua dos Barés, no Centro de Manaus. (Foto: Rede Amazônica)

    De acordo com a Defesa Civil do Estado, a cheia deste ano já afetou 400 mil pessoas em 46 dos 62 municípios do Amazonas.

    O município de Anamã entrou em estado de calamidade devido a cheia no Rio Solimões. Até agora, 2.200 famílias já foram atingidas na sede da cidade e em 30 comunidades rurais. Em quatro escolas estaduais, e 25 municipais, as aulas foram suspensas. São pouco mais de 3 mil alunos sem aulas na região.

    Uma balsa para substituir as atividades do hospital Francisco Sales de Moura, que está ilhado e prestes a alagar foi enviada até o município.

    Com 6.889 habitantes, Anamã enfrenta dificuldades por causa da cheia. (Foto: Foto: Adauto silva/Rede Amazônica)

    Municípios em situação de emergência

    A Defesa Civil divulgou uma lista com 37 municípios que estão em situação de emergência ou em fase de decretação:

    Calha do Alto Solimões: Tabatinga, Benjamin Constant e Atalaia do Norte.

    Calha do Médio Solimões: Tefé, Jutaí, Uarini, Fonte Boa, Coari e Maraã.

    Calha do Baixo Solimões: Anori, Anamã, Iranduba, Caapiranga, ManaquiriCareiro da Várzea, Careio Castanho e Manacapuru.

    Calha do Baixo Amazonas: Parintins, Nhamundá, Barreirinha e Boa Vista do Ramos.

    Calha do Purus: Beruri.

    Calha do Juruá: Eirunepé, Guajará, Ipixuna, Carauari, Juruá e Itamarati.

    Calha do Purus: Boca do Acre, Lábrea, Canutama, Tapauá.

    Calha do Madeira: Humaitá, Novo Aripuanã, Manicoré, Borba e Nova Olinda do Norte.

    Na Calha do Madeira, o total de pessoas afetadas pelas enchentes é de 51.717. Na Calha do Purus, de 16.118 e na do Juruá de 51.407.  

    Operação Enchente 2019

    Medidas para diminuir as consequências da cheia têm sido tomadas pela Prefeitura e pelo Governo do Estado.

    Em Manaus, a Defesa Civil continua com o monitoramento e verificação, nas áreas passíveis de alagações, para que quando for necessário seja construído pontes sobre pontes, que é a elevação das pontes permanentes que estão alagadas.

    Construção de ponte em áreas vulneráveis.(Foto: Altemar Alcantara/Semcom)

    O município de Manaus poderá, também, promover a desapropriação, por utilidade pública, de propriedades particulares comprovadamente localizadas em áreas de risco intensificado de desastres, conforme o disposto no Art. 5º do Decreto-Lei nº 3.365, de 21 de julho de 1941.

    O Governo do Estado, por meio da Defesa Civil do Amazonas, atendeu na primeira fase da Operação Enchente 2019 um total de 15 municípios das calhas do Juruá, Purus e Madeira.

    Os municípios foram: Eirunepé, Guajará, Ipixuna, Carauari, Juruá, Itamarati, Boca do Acre, Lábrea, Canutama, Tapauá, Humaitá, Novo Aripuanã, Manicoré, Borba e Nova Olinda do Norte.

    Ao todo, 13.436 famílias foram atendidas com ajuda humanitária, que contempla: cestas básicas, kits higiene, kits com redes, lençóis e mosqueteiros, kits de limpeza, colchões, jogos de cama, travesseiros e 92 purificadores de água do projeto Salta-Z.

    (Foto: Diego Peres/Secom)

    O governador do Estado, Wilson Lima, destacou que o Governo iniciou o planejamento para atendimento das comunidades atingidas pela cheia ainda em janeiro, envolvendo diversas secretarias, o que possibilitou auxiliar mais cedo as populações dos municípios afetados.

    “A nossa preocupação foi se antecipar às ações necessárias para amenizarmos os problemas enfrentados pelas famílias nesse período, na cheia e também na vazante. Queremos garantir condições sanitárias para que as famílias superem com dignidade esse período do ano”, disse Lima.

    A 2ª fase da Operação Enchente está em processo de preparação e resposta e levará, em breve, ajuda humanitária às famílias afetadas pela cheia, de acordo com a Assessoria do Estado.

     

     

     

     

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