sexta-feira, fevereiro 23, 2024
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    Projeto de Lei aumenta proteção aos ciclistas do Amazonas

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    As rodovias do Amazonas poderão contar com sinalização para chamar atenção e orientar os motoristas quanto à presença de ciclistas nas vias. Já que tramita na Assembleia Legislativa do Amazonas (Aleam) o Projeto de Lei (PL) que visa à instalação das placas. A proposta é assinada pelo deputado Saullo Vianna (PPS), que lembra que as placas vão orientar os motoristas, sobre o cuidado com os ciclistas nas rodovias.

    De acordo com a matéria, serão instaladas “em todas as saídas dos municípios com acesso às rodovias, visando garantir melhor visualização pelo condutor”.

    Entre as informações que estarão contidas na sinalização está a frase: “Cuidado! Ciclista na via!”. Segundo o parlamentar, por mais que o Código de Trânsito Brasileiro regulamente o uso das rodovias por ciclistas, o número de acidentes só aumenta.

    O deputado cita reportagem divulgada no mês de março de 2017, pela TV Globo, mostrando que 32 ciclistas são internados diariamente, devido a acidentes. Somente em 2014, morreram 1.357 ciclistas no trânsito de todo o Brasil. Em 2013, foram 1.348 mortes.

    Já em 2015, foram 10.935 internações de ciclistas, com um custo de R$ 13,2 milhões ao Sistema Único de Saúde (SUS). No ano de 2016, houve 11.741 internações, com custo superior a R$ 14 milhões.

    “Como se não bastasse à falta de respeito e atenção dos condutores de veículos, após o acidente muitos não prestam socorro, favorecendo o risco de morte”, afirma Saullo Viana.

    Medo de morrer atropelado

    O engenheiro civil Paulo Aguiar, 51, que é coordenador geral da ONG Pedala Manaus e conselheiro regional da União de Ciclistas do Brasil (UCB) pela região norte, além de voluntário no projeto Bike Anjo no Brasil, também cita dificuldades enfrentadas pelos ciclistas da capital e defende medidas para maior segurança aos praticantes desse tipo de modal.

    Paulo Aguiar enumera alguns problemas enfrentados por quem opta pelo modal em Manaus: falta de segurança e proteção no trânsito (medo de morrer atropelado); falta de infraestrutura adequada, funcional e segura (Manaus é a capital com a menor malha cicloviária do Brasil); falta de paraciclos e bicicletários; falta de campanhas de sensibilização e respeito ao ciclista; trânsito hostil e violento, ruas e vias com velocidade alta; falta de fiscalização e radares; a inexistência de intermodalidade (usar a bicicleta juntamente com o transporte público); falta de vontade política e de políticas públicas para o modal, além do descumprimento da política nacional de mobilidade urbana.

    “Boa iniciativa”

    Paulo Aguiar define como “boa iniciativa”, o projeto do deputado Saullo Vianna, mas acha que ele poderia também sugerir uma ciclovia ligando Manaus a Iranduba, Manacapuru e Novo Airão.

    “Além de favorecer atletas, poderia estimular o cicloturismo, geração de renda e emprego e estimular o uso da bicicleta como meio de transporte entre os municípios. Em paralelo, poderia propor uma campanha de sensibilização, demonstrando os benefícios do uso da bicicleta, trazendo mais usuários para o modal. O ciclista só usará a bicicleta de forma regular se se sentir seguro e somente as placas não trarão esse sentimento, ainda mais em rodovias cujas velocidades são acima de 90 km/h”, comentou.

    Pedala Manaus

    A Associação Ciclística Pedala Manaus existe há nove anos. Criada por um grupo de pesquisadores do Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (Inpa), a ONG atua de forma voluntária e sem fins lucrativos para o fortalecimento do uso da bicicleta como meio de transporte, de acordo com Paulo Aguiar, que é industriário e ciclista.

    Ele explica que o Pedala Manaus tem três eixos de atuação: políticas públicas (pesquisas, levantamentos de dados, audiências públicas); ações sociais e desenvolvimento comunitário da cultura do uso da bicicleta (palestras, capacitações, oficinas, atividades educativas e de sensibilização e passeios noturnos). Aguiar defende o uso de bicicletas nas cidades. “Não polui, não faz barulho, não ocupa espaço, é modal de transporte, reduz congestionamentos, reduz gastos com saúde pública, permite acesso à cidade, democratiza os espaços”.

    Em números

    Usuários de bicicleta em Manaus de forma regular somam 4% da população (Ipea 2012)Já a malha cicloviária de Manaus é formada por 38 km (entre ciclovias, ciclofaixas e ciclorrotas). Percentual de usuários que usam a bicicleta como meio de transporte é de 88%.

     

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