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    Fala de Bolsonaro sobre indígenas motiva carta de repúdio

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    A Federação das Organizações Indígenas do Rio Negro (FOIRN) divulgou, no início desta semana, uma carta pública em defesa dos direitos indígenas no Rio Negro. A carta foi escrita em repúdio às declarações feitas pelo presidente Jair Bolsonaro, na semana passada, quando esteve em Manaus para a abertura da I Feira de Sustentabilidade do Polo Industrial de Manaus. Na ocasião, o chefe do Executivo afirmou que os povos indígenas vivem como ‘homens pré-históricos’. O documento repudiando a fala foi assinado por lideranças de 23 povos indígenas que residem em 750 comunidades da região do Rio Negro.

    Em um trecho da nota, a Federação ressalta que as afirmações do presidente são irresponsáveis e sem nenhum tipo de conhecimento sobre a cultura indígena. “Tais afirmações irresponsáveis vêm causando constrangimentos e conflitos políticos internos entre as comunidades e lideranças indígenas, interferindo diretamente na nossa segurança e bem-estar na região do Rio Negro. Infelizmente, lamentamos que um presidente da República do Brasil em pleno século 21 traga os mesmos mecanismos de discórdia e violência exterminadora que os colonialistas empregaram quando chegaram em nossas terras há cinco séculos atrás”.

    Bolsonaro também afirmou que deseja que os indígenas usufruam das riquezas de suas terras por meio da garimpagem. “Nós queremos o índio fazendo na sua terra o mesmo que um fazendeiro faz na sua. Que ele possa garimpar. Queremos que os nossos irmãos índios, caso queiram, usem da sua riqueza em prol da sua comunidade. A ZFM é um símbolo, é uma garantia e a Amazônia é do Brasil”, declarou o presidente na ocasião.

    Para a FOIRN, ao defender o garimpo em território indígena, sem fazer amplas consultas às comunidades, o presidente incentiva a invasão, a grilagem e o aumento da violência nas áreas rurais e florestais do Brasil. “Tememos que o Brasil siga o caminho do autoritarismo e da implantação de um estado de exceção a serviço somente dos interesses empresariais e políticos. Estamos alarmados com a possibilidade de sérios retrocessos em nossos direitos como cidadãos brasileiros e povos indígenas originários, assim como com as tentativas de criminalização dos movimentos sociais e da sociedade civil organizada”, destacam em outro trecho da carta.

    Por outro lado, um grupo de indígenas de diversas etnias que compareceram na entrada da abertura da Feira em que participou Bolsonaro na semana passada e agradeceram a presença do presidente e o seu apoio ao agronegócio do país. “É para agradecer o presidente por abrir as portas para o agronegócio no Amazonas, principalmente, com o plantio de cana de açúcar e de milho. O milho é uma cultura milenar dos povos indígenas. Os povos indígenas estão muito esperançosas de que isso venha trazer dignidade para o nosso povo que deseja igualdade e inclusão. Nós, povos indígenas, queremos fazer parte desse cenário de progresso e inclusão no estado do Amazonas”, disse o cacique Jair Marinha.

    Sobre a FOIRN

    Fundada em 1987, a FOIRN representa 23 povos indígenas do Rio Negro, numa área que abrange os municípios de Barcelos, Santa Isabel do Rio Negro e São Gabriel da Cachoeira, no Amazonas. É uma associação civil sem fins lucrativos, reconhecida como de utilidade pública pela lei 1831/1987, e uma das principais organizações do movimento indígena no Brasil, sendo referência mundial sobre a defesa dos povos indígenas na América Latina.

    Leia a carta da FOIRN na íntegra aqui


    Por Cíntia Ferreira, do Portal Projeta

     

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